Blog www.chapadadiamantinaemfoco.blogspot.com já ultrapassa a casa dos dez mil acessos
Neste outubro, completamos um ano do www.chapadadiamantinaemfoco.blogspot.com e aquilo que parecia, no início, apenas um passatempo foi ganhando forma e se firmando em minha vida como algo insubstituível. A princípio focado na região da Chapada Diamantina da Bahia, o blog foi se direcionando para Brotas de Macaúbas, cidade onde nasci, bem no coração dessa região diamantífera baiana. Continuamos focados no território, mas a matriz cultural da Chapada tem tido cada vez mais destaque. É aqui que nasci, onde criei raízes e onde decidi morar após mais de 40 anos fora.
Nosso blog ainda engatinha, é verdade, com 41 fiéis seguidores, mas já ultrapassamos a cada dos dez mil acessos, o que considero uma vitória diante do universo ao qual ele se direciona. Estaremos sempre atentos, de forma isenta e jornalística, fazendo um trabalho de divulgação dessa terra e de sua gente.
Confira algumas fotos que ilustraram as matérias publicadas no www.chapadadiamantinaemfoco.blogspot.com em seu primeiro ano de existência.
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sábado, 8 de outubro de 2011
Século digital tem início com morte de Steve Jobs
Câncer vence o criador da Apple, do iPhod e do Macintosh, que deixa legado inestimável às novas e futuras gerações
Morreu esta semana um dos ícones do mundo moderno, Steve Jobs. Criador da Apple – hoje a segunda empresa mais valiosa do mundo - e do irresistível iPhone, o empresário norte-americano não suportou a um câncer. Deixa o legado, uma empresa multimilionária e o nome na história. Era um homem marcado pela argúcia, principalmente no trato com a mídia, que punha a seu favor. Nesse sentido, Jobs é o último grande nome do século 20, marcado pela ascensão de líderes carismáticos que saíram do nada e mudaram gerações. Está ao lado de nomes como Henry Ford, Alexander Graham Bell, Levi Strauss, Thomas Edison e Bill Gates. Ao deixar a cena desse mundo, ele nos deixa em um mundo que passou sua vida inteira imaginando: o mundo digital.
Conheça o que foi esse homem pelo seu pensamento, expresso em discurso feito na Faculdade de Stanford:
“ Você tem que encontrar o que você ama.
Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias. A primeira história é sobre ligar os pontos. Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais 18 meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?
Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina.
Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: "Apareceu um garoto. Vocês o querem?" Eles disseram: "É claro."
Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok.
Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.
Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.
Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.
Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.
Minha segunda história é sobre amor e perda.
Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação — o Macintosh — e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício].
Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa.
A Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa. Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama.
Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.
Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.
Minha terceira história é sobre morte.
Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: "Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último." Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: "Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?" E se a resposta é "não" por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa. Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.
Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas — que é o código dos médicos para "preparar para morrer". Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus.
Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.
Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.
O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.
Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid.
Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: "Continue com fome, continue bobo." Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.
Obrigado”.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Brotas de Macaúbas finaliza Parque Eólico
O primeiro parque eólico da Bahia, instalado no município de Brotas de Macaúbas, Chapada Diamantina, entra em operação no final do mês de novembro. A estrutura principal já está montada e resta apenas a conclusão da subestação, que vai levar a energia produzida à rede de distribuição nacional, para que os aerogeradores comecem a funcionar. Cada um dos 57 cata-ventos gigantes que formam o parque tem 80 metros de altura. Eles vão aproveitar a força dos ventos e produzir eletricidade suficiente para abastecer uma cidade maior que Vitória da Conquista.
No local onde está instalado o parque, no alto da Serra da Mangabeira, o vento tem velocidade média de 25 quilômetros por hora. O engenheiro responsável pela obra, Eduardo Bottacin, afirmou que para começar a produzir energia elétrica o aerogerador precisa de vento a partir de 11 quilômetros por hora. “O potencial de geração aqui é de 90 megawatts. Esta é uma das melhores áreas do estado, porque tem potencial suficiente para produção de energia”.
Com a entrada em operação do seu primeiro parque eólico, o estado se prepara para instalar outros 51. No país, a Bahia lidera o número de projetos neste setor. A previsão é que 18 novos empreendimentos entrem em operação até o final de 2012 e formem o principal polo eólico do Brasil. Além dos parques, o estado começa a receber fábricas de torres e aerogeradores. A Gamesa, empresa espanhola especializada na construção de turbinas geradoras, já inaugurou uma unidade em Camaçari, e a francesa Alston inaugura outra até o final deste ano.
Responsável pela relação entre os empresários e o governo estadual, o secretário da Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, disse que a instalação de uma fábrica dessa é uma decisão meramente empresarial. Segundo ele, as empresas estão se instalando aqui porque a Bahia tem o maior potencial para esse tipo de energia hoje no Brasil e tem atuado para apoiar as iniciativas.
MAIS OFERTA DE ENERGIA
Os novos projetos vão aumentar a oferta de energia elétrica na Bahia, garantindo fornecimento suficiente para o crescimento econômico. Além disso, a energia eólica é considerada uma das mais limpas – não gera impacto, como inundações, fumaça ou resíduos.
Para o biólogo Márcio Zanotto, o principal impasse durante a instalação é a construção da estrada até o local. Durante a operação, o risco é o choque de aves migratórias com a parte móvel dos aerogeradores. “Vamos monitorar durante os primeiros anos, e, caso aconteça, existem soluções viáveis para evitar esse choque”.
Fotos de Alberto Coutinho/SECOM
ESTRUTURA GRANDIOSA
A estrutura do primeiro parque eólico da Bahia é grandiosa. As torres têm a altura equivalente a 18 andares e quando giram as pás do cata-vento chegam a quase 30, equivalente a 120 metros de altura. Elas podem ser vistas a uma distância de 90 quilômetros por quem passa pela BR-242, na altura de Brotas de Macaúbas.
Para quem mora nas comunidades próximas ao parque, além da admiração, a chegada das torres trouxe os ventos da oportunidade. Os projetos geram muitos empregos durante a fase de construção e 600 operários da região foram contratados.
Hélio Oliveira, encarregado de obras, mora a 15 minutos do canteiro, no distrito de Sumidouro. Para trabalhar ali, ele desistiu dos planos de procurar emprego em São Paulo, empreitada que já repetiu três vezes, desde os 17 anos. Hoje, aos 34, acredita que tomou a melhor decisão. “Sou encarregado e estou usando o dinheiro para construir minha casa e ficar de vez em Sumidouro com minha mulher e o filho que estamos esperando”.
Com informações da Secom – Secretaria de Comunicação do governo da Bahia
sábado, 17 de setembro de 2011
Emoção marca 40 anos da morte de Zequinha e Lamarca
Prefeito Litercílio Júnior comanda ato político na Praça Matriz de Brotas de Macaúbas e resgata trajetória dos líderes revolucionários
Com a presença do primeiro ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos (governo Lula), Nilmário Miranda e do secretário estadual de Cultura, Albino Rubin (representando o governador Jaques Wagner), um ato público na Praça Matriz em Brotas de Macaúbas celebrou neste sábado (17) os 40 anos da morte dos líderes revolucionários Carlos Lamarca e José Campos Barreto, o Zequinha. A solenidade foi marcada pela emoção quando o prefeito Litercílio Júnior fez a chamada - nome a nome - dos mortos pela repressão militar em Brotas (Santa Bárbara, Otoniel e Zequinha Barreto, além de Lamarca). A cada nome pronunciado, as na praça respondiam “presente”.
Neste sábado e também no domingo (18), a população da região e pessoas vindas de diversas partes do país, participam do 3º Fórum de Direito à Memória e Verdade, além da 11ª Celebração aos Mátires, marcada pela sábado à tarde, na localidade de Pintada, onde Zequinha e Lamarca foram mortos. Haverá ainda, no domingo, ato político em Buriti Cristalino, onde morreram Otoniel Campos Barreto e o professor Santa Bárbara e Noite Cultural, em Brotas.
Leovan foi o grande vencedor do concurso de redação
ESTUDANTES SÃO PREMIADOS
Durante a solenidade foram premiados os alunos das escolas municipais e estaduais que participaram do concurso de redação, instituído pelo município. No ensino fundamental, a grande vencedora foi Tânia Oliveira Araújo, da Escola Luiz Eduardo Magalhães, no Cocal, ficando em segundo e terceiro lugares os alunos Rosana Mendes dos Santos (Escola Agostinho Ribeiro), de Feira Nova e Marina Rodrigues de Oliveira, da Escola Papa João Paulo I, em Brotas.
No ensino médio, o primeiro colocado foi Leovan de Oliveira Bastos. Tatiana Oliveira Lopes e Márcia Nunes dos Santos, ficaram, respectivamente, com o segundo e terceiros lugares; Todos estudantes do Colégio Estadual Papa João Paulo I. Os premiados receberam netbooks, máquinas digitais e celulares. O prefeito Júnior destacou a importância do concurso dentro da luta em busca da restauração da verdade dos acontecimentos acontecidos em 1971.
Ex-ministro dos Diretos Humanos, Nilmário Miranda
IMPORTÂNCIA DO RESGATE
Nilmário Miranda falou sobre a importância desse resgate dos nomes de Lamarca e Zequinha e de todos aqueles que lutaram pela democracia no Brasil, pagando com a vida por esse gesto de amor à pátria. Disse que esteve em Brotas de Macaúbas em 1996, como membro da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos em diligência para o reconhecimento da responsabilidade do Estado pelas mortes.
Para ele, “Lamarca e Zequinha foram reconhecidos como vítimas em 1996. Em 2007 a Comissão de Anistia declarou Lamarca anistiado político e o promoveu a coronel post mortem concedendo pensão à viúva Maria Pavan e indenizou os filhos César e Cláudia forçados ainda crianças ao exílio em Cuba”. Em seu blog, Nilmário explica que “uma juíza federal suspendeu o pagamento da pensão e das indenizações sob a alegação de que Lamarca foi um "desertor", tese já julgada e desmontada pelo STJ há 12 anos”.
O povo na praça responde "presente" à chamada dos nomes dos revolucionários mortos em 1971
Em foto de arquivo, Olderico na Pintada: 17 de setembro, dia muito difícil para a família Campos Barreto
A FALA DE OLDERICO
No pronunciamento mais forte do ato, Olderico Campos Barreto – irmão de Zequinha e Otoniel, mortos pelos militares, e ele próprio ferido na invasão da casa de seu pai, José Campos Barreto, no Buriti Cristalino, lembrou os anos de chumbo da ditadura militar e o resgate que hoje é feito para devolver a dignidade àqueles que deram a sua vida pela redemocratização do país. Ele contou que morou 17 anos em São Paulo e que resolveu voltar a Brotas na busca de oferecer alternativas aos jovens, que “não precisam sair da nossa terra para tentar a sorte em São Paulo”. Chamou a atenção dos governantes para a necessidade de “mais ações do governo para fixar os jovens aqui em nossa terra”.
Olderico falou que “o dia de hoje é um dia muito difícil para todos nós da família Campos Barreto”. Lembrou a pressão militar sobre o povo que foi preparado como num quartel para que fosse alguém da região que matasse Lamarca e Zequinha. “Graças a Deus eles não encontraram aqui esse bode espiatório”, assegurou
Os eventos em memória dos líderes revolucionários estão sendo desenvolvidos pelo Instituto Zequinha Barreto em conjunto com a Diocese da Barra e as prefeituras de Brotas de Macaúbas e Ipupiara, com apoio do governo estadual.
Também participaram do ato político, o representante do Fórum Permanente de ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, Francisco Oliveira Prado; o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, os deputados estauais Yulo Oiticica e Neusa Cadore e o federal Amauri, além da primeira dama de Brotas, Eliene Ferro, o prefeito de Morpará, Silley Novais; de ex-companheiros de Zequinha e Lamarca, como Manoel Dias Nascimento e Roque Aprecido da Silva, vereadores locais e representantes de municípios vizinhos.
MAIS IMAGENS DOS 40 ANOS SEM ZEQUINHA E LAMARCA
Com fotos de Alberto Coutinho, fotógrafo da Secom-BA, as celebrações em Brotas de Macaúbas e na Pintada pelos 40 anos da morte de Carlos Lamarca e José Campos Barreto. O evento mobilizou o ex-ministro Nilmário Miranda, o secretário estadual de Cultura, Albino Rubim e o bispo da Diocese da Barra, Dom frei Luis Cappio, além do prefeito de Brotas de Macaúbas, Litercílio Nunes, deputados estaduais e federal, o presidente do Instituto Zequinha Barreto, Roque Aparecido e o irmão de Zequinha, Olderico Campos Barreto.
As celebrações aconteceram no dia 17 em Brotas de Macaúbas (pela manhã) e na Pintada (à tarde), localidade do vizinho município de Ipupiara onde os líderes revolucionários tombaram mortos em 1971. No domingo, igual celebração em Buriti Cristalino, terra natal da família Campos Barreto, onde – em agosto do mesmo ano – morreram Otoniel Barreto e o professor Santa Bárbara. A noite cultural em Brotas de Macaúbas, que encerraria o evento, acabou sendo cancelada.
O bispo da Barra Dom frei Luis Cappio comandou a "Celebrações pelos Mártires" na Pintada em Memorial que ele constroi na Pintada, onde o povo visitou o local da morte de Zequinha e Lamarca
O ato político em Brotas de Macaúbas reuniu políticos e ex-guerrilheiros e premiou os autores das melhores radações sobre Lamarca e Zequinha: Leovan Oliveira Bastos e Tânia Oliveira Araújo
REAÇÃO DOS MORADORES DE BROTAS DE MACAÚBAS
Em colaboração a este blog, a professora aposentata e escritora Alzira Ribeiro do Espírito Santo, que vivenciou o tempo da perseguição e morte dos líderes revolucionários José Campos Barreto, Zequinha, e Carlos Lamarca enviou o seguinte texto, onde discorda de declarações feitas em praça pública durante as celebrações pelos 40 anos de morte dos dois:
"Eu Alzira Ribeiro do Espírito Santo e muitos brotenses ouvimos estarrecidos o pronunciamento de Olderico Campos Barreto denegrindo os "inteligentes da cidade" e os "ignorantes do interior" do município, afirmando que a população de Brotas "foi treinada como se estivesse num quartel" para matar os guerrilheiros e que muitas dessas pessoas teriam amolado facas e facões na porta de igreja Matriz no intuito de acabar com a vida de Zequinha e Lamarca, colaborando assim com os militares das três armas que aqui integraram a Operação Pajuçara no ano de 1971. Repudio tais declarações porque não conferem com a verdade. A população - em sua grande maioria - sequer sabia do que se tratava e estava com medo. Também quero assegurar ser falsa a informação de que o senhor Genésio Nunes - carcereiro da delegacia pública na época e que hoje repousa na mansão dos mortos e não pode se defender, mas nós moradores desta cidade, testemunhas vivas daqueles episódios terriveis, sabemos que o mesmo nunca fez festa em sua residência para comemorar a morte de ninguém. Com certeza está sendo usado como bode espiatório para o arrepio da verdade e a incredulidade de todos os brotenses. Enfim, aproveita-se a oportunidade para criar estórias fantasiosas, deformando a verdade, não sabendo nós com qual finalidade. Lamento a história de Brotas de Macaúbas estar caminhando em tal direção".
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Lembrados os 40 anos da morte de Zequinha e Lamarca
Fim de semana vai movimentar Brotas de Macaúbas, Buriti Cristalino e a Pintada
Com manifestações previstas para a Pintada, dia 17, Buriti Cristalino e Brotas de Macaúbas, dia 18, os 40 anos da morte do capitão Carlos Lamarca e de José Campos Barreto serão lembrados com atos públicos, missa e noite cultural, além de apresentação de filme. Trata-se de eventos desenvolvidos pelo Instituto Zequinha Barreto em conjunto com a Diocese da Barra e as prefeituras de Brotas de Macaúbas e Ipupiara, com apio do governo estadual.
A programação dos dias 17 e 18 de setembro próximo será intensa, como informa Roque Aparecido da Silva, sociólogo ultimamente trabalhando em Salvador e companheiro de Zequinha na famosa greve dos metalúrgicos de Osasco, em 1968. Ele informou que para o principal ato público, em Brotas de Macaúbas, no dia 17, está prevista a presença da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, além de várias outras autoridades, bem como de representantes de movimentos sociais e entidades vinculadas à luta pelos direitos humanos. Está incluída na programação uma homenagem ao geógrafo baiano Milton Santos, que morreu há dez anos e que é filho do município de Brotas.
PROGRAMAÇÃO
Dia 17 (sábado)
10h – Ato público em Brotas de Macaúbas
12h30 – Almoço
13h30 – Deslocamento para a Pintada
14h30 – Ato em Pintada e visita às obras do Santuário dos Mártires
19h30 – Exibição do filme do Buriti a Pintada, de Reizinho Pereira dos Santos
Dia 18 (domingo)
10h – Momento Celebrativo em Buriti Cristalino
12h – Almoço16h30 – Momento Celebrativo na Pintada
19h30 – Noite Cultural em Brotas de Macaúbas
Família de Lamarca lembra execução
Assinado pela família de Carlos Lamarca - Maria Pavan Lamarca, Cesar Pavan Lamarca e Claudia Pavan Lamarca - texto é um testemunho visceral da saga de um homem que entrou para a História do Brasil. Veja:
"Tudo que já se escreveu sobre Carlos Lamarca permite a reflexão de um momento da História do Brasil. Não há dúvidas de que sua atitude, decisão e sacrifício foram refletidos em gerações que ainda, pouco ou nada sabem sobre este brasileiro.
Em 11 de setembro de 2011 um canal brasileiro de televisão mostrará ao Brasil, ao povo brasileiro, 10 anos do acontecimento em New York, quando as torres do World Trade Center foram atingidas por duas aeronaves de grande porte, que resultou na morte de inúmeras pessoas.
Em 17 de setembro de 2011, farão 40 anos da execução sumária de Carlos Lamarca, nenhuma reportagem será levada ao conhecimento do povo brasileiro.
É de conhecimento geral que foi executado por forças federais brasileiras, por muito tempo fora forjada a “idéia” de que, apesar de sua condição física, esta constatada após a execução, que ele teria oferecido resistência impar as forças federais brasileiras, a verdade dos fatos, não lhe foi possível oferecer nenhum tipo de reação dada a sua condição física a aquele momento.
Seu corpo fora violado após a morte, sobre seu cadáver ocorreram atos abomináveis ao ser humano e a conduta de honra entre militares, seu transporte foi da mesma forma quando uma caça é abatida, até sua chegada ao IML de Salvador – Estado da Bahia – BA.
Foi exposto ao olhar de curiosos, de personalidades políticas e militares como um troféu e somente, após a chegada de alguns parentes vindo do Rio de Janeiro, e, a pedido de um deles, que foi cessada aquela peregrinação. Seu corpo foi reconhecido por parentes, enterrado em cova comum no cemitério da cidade de Salvador, e somente em 1973 foi possível o traslado para a cidade do Rio de Janeiro por seus parentes e sepultado no cemitério do Caju.
Tudo isto ocorreu longe de sua companheira e seus filhos, pois residiam em Havana – Cuba e somente regressariam após a “abertura política” no Brasil em 1979. Cumpriram exílio durante 10 anos seguidos.
São 40 anos de sua execução. A família Lamarca resgatou de forma silenciosa a cidadania brasileira, pois se encontrava em terra estrangeira, se mantém sob orientação de Maria Pavan Lamarca, hoje com 74 anos de idade e sua convicção é de que, ainda há muito a ser feito em memória de seu companheiro.
Contrariando orientações e seguindo a sua determinação pessoal foi a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, e com muito afinco e determinação prova que, a farsa forjada na Operação Pajussara era frágil demais para ser mantida, com ajuda do Deputado Federal Nilmário Miranda, do Partido dos Trabalhadores exumou os restos mortais de seu companheiro e no IML de Brasília o Legista Médico, Nelson Massini prova a execução de seu companheiro.
A Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos e a imprensa recebem de um repórter do Jornal O Globo, um material comprometedor as forças federais brasileiras, material este “escondido” dentro de um cofre, em uma “sala esquecida” na Polícia Federal em São Paulo, onde lá foram encontradas sete pastas que mostram um dossiê completo e fotografias de Carlos Lamarca e que serviram de base para contribuir com a suspeita de execução em contribuição com as observações profissionais do médico legista.
Não houve dúvidas para a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, Carlos Lamarca fora executado sumariamente, lhe fora interrompida a vida, lhe fora privado o direito a rendição, a prisão, ao julgamento, a pena e possivelmente a anistia política e restituição dos direitos, inclusive a promoção militar, pois lhe interromperam a vida, assim como ocorreu com muitos outros.
A Carlos Lamarca lhe foi alienado o direito a vida. A sua companheira vai a Comissão de Anistia requerer o que também, o Poder Judiciário atual não reconhece em benefício de seu companheiro, em benefício do resgate do direito constituído, o direito a anistia política.
Seus representantes judiciais lutam até a presente data, de tribunal em tribunal, de recurso em recurso, de agravos em agravos para derrubar uma liminar sustentada pelo Clube Militar do Rio de Janeiro, como um troféu contra a anistia de Carlos Lamarca. Os representantes judiciais de Maria Pavan Lamarca lutam a 24 anos seguidos pelos reparos devidos a família Lamarca.
São 40 anos da execução de um homem que entregou sua vida pela luta democrática, optou pela luta armada, pois quem se impôs no poder pela violência deveria ser removido da mesma forma, pelas armas.
Nós da família Lamarca lamentamos que, após 40 anos da execução de Carlos Lamarca sua condição seja a mesma, não se deseja medalhas e honrarias e sim o que a lei permite dentro do estado de direito.
Carlos Lamarca, ainda, e possivelmente seja o único brasileiro não anistiado pela própria Lei de Anistia, pelo Poder Judiciário e pela própria União, independente de governos e suas políticas.
Nós da família Lamarca olhamos para o nosso querido marido e pai, em uniforme militar com uma brilhante carreira pela frente e o recebemos e suas últimas fotografias quase como um mendigo, isso não passa de uma vergonha para este País, principalmente para aqueles que se pautam como soberanos da esquerda brasileira.
Não resta dúvidas que esquecer, ignorar, fugir as responsabilidades tem sido uma constante, pois não há mais ideais a serem alcançados, não resta mais nada que, simplesmente aceitar o tempo como bandagem a uma sangria desenfreada de ignorância aos fatos da História do Brasil, nós não somos parte desta hipocrisia e que, de pouco ou nada servirão estas palavras escritas, mas não restam dúvidas de que, a consciência de cada um é seu próprio juiz no final da jornada, e esse julgamento que o tempo prega é como aquela tormenta que chega de vez para que, talvez, possamos refletir dos atos do passado e presente.
A família Lamarca nunca se rendeu, nunca sucumbiu, mas sem nenhum tipo de fobia sabe que são “os novos perseguidos políticos do Brasil”, pois é a partir da transferência de ódios do passado e pendências que, personagens da política brasileira que abominam a democracia, mas se servem dela, se aproveitam de suas condições como parlamentares para atacar aqueles que restaram do sacrifício pela Nação. Quando três clubes militares se unem contra uma brasileira, de 74 anos de idade para lhe suprimir um direito inalienável, o direito de anistia de seu próprio companheiro, é porque chegamos ao caos silencioso e a ignorância de fatos amparados na alienação do poder judiciário de alguns magistrados, onde permitem o dolo a uma família, em particular a uma senhora de 74 anos de idade e compactuar com o passado de desrespeito aos direitos constituídos.
Sua companheira recebeu a missão de seu companheiro de educar seus filhos, cuidar deles, ela está até hoje entrincheirada, sem armas, mas consciente de um dever eterno a ser cumprido, preservar seus filhos e agora seus netos.
Não nascemos para mendigar direitos, nascemos para vencer, somos uma família unida e temos preservado o nome de Carlos Lamarca como compromisso aos ideais e respeito a sua memória.
Um homem morre, suas idéias são eternas.
Ousar Lutar, Ousar Vencer".
Com informações dos blogs http://vidaspelavida.blogspot.com
e http://ousarlutar.blogspot.com
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Dom Luiz Cappio condena a corrupção no país
Bispo da Diocese da Barra aproveita missa em Brotas de Macaúbas e denuncia o abandono das obras de transposição do Rio São Francisco
O bispo da Diocese da Barra, Dom frei Luiz Flávio Cappio, denunciou neste 7 de setembro o abandono das obras de transposição do Rio São Francisco onde, segundo disse, já foram gastos “bilhões e bilhões de reais, dinheiro que daria para comprar uma casa para cada um dos brasileiros sem moradia”. Disse também que a obra está hoje abandonada e que os canais estão rachando sob o sol inclemente do sertão nordestino, longe de resolver o problema da seca na região. A declaração foi feita durante a homilia na missa de encerramento da Novena de Nossa Senhora de Brotas, Padroeira da cidade de Brotas de Macaúbas, na Chapada Diamantina.
Dom Cappio, lembrou a sua luta em defesa do Velho Chico e da greve de fome em protesto contra o projeto de transposição do rio, denunciando ainda a corrupção no Brasil como o grande mal da nação brasileira. Ele disse que as futuras gerações, assim como as atuais condenam a escravidão, hão de cobrar o grande mal que é a corrupção hoje institucionalizada no país. Assegurou que os governantes estão se locupletando com o dinheiro que deveria servir para resolver os grandes problemas dos brasileiros, a exemplo da fome e da miséria. Falando pausadamente para uma igreja repleta de fiéis, o líder da Igreja Católica na região condenou a omissão como incentivador da corrupção nos altos escalões do governo.
Dom Luís Cappio está em Brotas de Macaúbas para as comemorações da festa da padroeira, Nossa Senhora de Brotas. Nesta quinta-feira, dia 8, ele vai celebrar a missa solene da festa ao lado do padre frei Moisés, pároco da cidade.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Dora Rosa destaca parceria com a comunicação
Reitora da UFBa é filha de Idalino Rosa, de tradicional família de Brotas de Macaúbas
Filha do brotense Idalino Rosa, a reitora da Ufba, Dora Leal Rosa entende que universidade deve estabelecer relação de parceria com os meios de comunicação com o objetivo de levar conceitos científicos e discussões controversas para o grande público. Em entrevista com Mariana Alcântara e Wagner Ferreira (Agência Ciência e Cultura) ela defende também a ampliação na mídia dos espaços destinados ao Jornalismo Científico e vê na Agência Ciência e Cultura um importante instrumento de democratização do conhecimento
P - Para a Ufba, uma das universidades que mais produz pesquisa no Nordeste, o que falta para que os resultados destas pesquisas sejam de conhecimento do grande público?
Dora Leal Rosa – Do ponto de vista acadêmico, a Ufba é altamente reputada dentro do estado da Bahia, no Nordeste e no Brasil. Esse reconhecimento é traduzido por meio de convites a bancas e grandes eventos acadêmicos. Neste momento, nós temos dois pesquisadores que integram comissões da Capes, nas áreas de Artes Cênicas e Psicologia. Dificilmente dois integrantes da mesma instituição fazem parte de uma entidade como a Capes.
“Temos uma limitação na divulgação de nossos resultados. Uma Agência, como a que vocês estão propondo construir, é importante, principalmente, por ser voltada ao Jornalismo Científico”
Mas o foco da sua pergunta é na divulgação, não pelos pares, e sim para um público maismplo. Mas será que a nossa sociedade conhece a Ufba para além de seus cursos de graduação? Acho que a Ufba é conhecida pela comunidade não acadêmica pelo ensino de graduação e pouco se conhece das outras atividades que fundamentam o ensino de graduação que é a pesquisa e a extensão. Estas não se traduzem tão facilmente para a população; o que nós temos na área da Educação, da Biologia, da Saúde. Acho que temos uma limitação na divulgação desses resultados. Então, uma Agência, como a que vocês estão propondo construir, é importante, principalmente, por ser voltada ao Jornalismo Científico.
Acho que a mídia, os grandes jornais do nosso estado e a televisão, precisam ter um caderno, uma página dedicada ao Jornalismo Científico, traduzindo para a população esse conhecimento que é gerado pela Universidade em suas pesquisas. Nós temos uma área de Saúde que é altamente reputada, mas a população não conhece o resultado de pesquisas nesta área. Na minha área, que é a Educação, nós temos trabalhos importantíssimos na Faculdade de Educação, por meio de nossos pesquisadores que integram o programa de pós-graduação. Acredito que boa parte da nossa população não conheça esses resultados, porque eles são publicados em revistas da nossa área, mas não são apropriados para os meios de comunicação.
P – Então esses resultados ficam restritos ao ambiente acadêmico?
Dora Leal Rosa – Muito restrito. Eu acho que para que esse conhecimento gerado pelas pesquisas seja empregado em nossas vidas, é preciso traduzi-lo para uma linguagem apropriada pelo conjunto da população. Eu me recordo de um livro de Carl Sagan, que foi uma pessoa que trabalhou muito pela divulgação do conhecimento científico. Ele falava da importância da divulgação cientifica para que tivéssemos a nossa formação, nossa educação científica. Ele dizia que o pleno exercício da cidadania só poderia existir se o cidadão compreendesse a sociedade contemporânea e, principalmente, que tivesse informação para que participasse desses debates. Temos agora uma grande discussão sobre energia nuclear. É preciso que a gente entenda como cidadão o impacto da energia nuclear em um país como o Brasil; como deve ser definida a sua matriz energética e como se proteger dela.
P – Em muito dos casos, o incentivo à divulgação científica não parte dos órgãos responsáveis pela qualificação de programas de pós-graduação e pesquisadores. Atividades de extensão, que visem a popularização da ciência por meio de publicações em livros e revistas, têm peso menor no Lattes do que a produção de artigos. Como mudar isso?
Dora Leal Rosa – Acho que são dois planos de discussão. O primeiro dentro da universidade, aonde nós já vínhamos avançando e visa a contabilizar essas atividades de extensão, e a discussão extra-universidade, junto às agencias, como a Capes, que é quem avalia nossos alunos. Por isso se faz necessária a discussão, representada por nossos pares nas agências de fomento em prol da valorização das atividades de extensão.
P – Voltando à questão da divulgação científica, para a senhora, que já tem uma trajetória importante na área da Educação, como é possível um país como o Brasil, que não tem um retrospecto de investimento maciço na Educação, faça que a educação científica se torne algo mais concreto?
Dora Leal Rosa - Esse é um desafio que a Universidade tem que colocar como objetivos institucionais. Quando eu estava na Fapesb, nós estávamos investindo cerca de R$ 1 milhão em projetos que tivessem como foco a educação científica. Eu acho que a Universidade também precisa fazer esse esforço, que virá através da extensão, de forma que a gente possa contribuir para a educação básica com foco na educação científica. Devemos conduzir as ações de forma paralela, então vamos esperar que aumente os recursos para a Educação para que tenhamos tal tipo de atividade. Há muitos outros editais contemplados pela Ufba, não só das engenharias, mas que englobam o uso de tecnologias sociais, a exemplo da Escola de Administração, que tem programas que utilizam essas tecnologias.
P – O Departamento de Popularização da Ciência, desde 2004, com o professor Ildeu de Castro Moreira, fez com que o tema entrasse para a agenda política por ser um instrumento de inclusão social. Como a senhora vê na Ufba a inclusão social aliada a uma educação científica voltada para a popularização da ciência?
Dora Leal Rosa – Eu acho que, com o advento da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, deve-se pensar Ciência e Tecnologia na perspectiva da inclusão social. A população não pode ficar fora dos benefícios gerados pelo conhecimento. No caso da Ufba, eu estava na Fapesb quando lançamos vários editais que tinham essa perspectiva de desenvolver o conhecimento e promover a inclusão e a Universidade participou de muitos editais. Um deles foi um edital voltado para o semiárido, assunto de importante inovação tecnológica.
P – É comum ouvir que a ciência é masculina, a senhora é a segunda reitora da universidade. Então, a ciência é masculina?
Dora Leal Rosa – A ciência não escolhe gênero. Ao longo da história, existiram muitas mulheres pesquisadoras importantes. Fomos convencidas que tínhamos um melhor desempenho em atividades domésticas, mas, na verdade, a própria ciência já nos sinalizou que nós mulheres temos o mesmo potencial. É preciso que sejamos preparadas para tal atividade.
P - Gostaríamos que a reitora fizesse suas considerações finais em relação a Ufba como Universidade Nova e suas perspectivas
Dora Leal Rosa – A nossa Ufba, hoje, tem muita clareza com o seu compromisso com a sociedade. Todo esse movimento que a Ufba fez no sentido de incorporar segmentos que estavam excluídos do ensino superior é um ponto importantíssimo de abrir-se cada vez mais para a sociedade; interiorizando com dois campi, em Vitória da Conquista e Barreiras. Eu vejo com muito otimismo. Sinto-me profundamente honrada por ter sido escolhida como reitora dessa universidade, reconhecida e aplaudida pelo nosso estado. Estou muito orgulhosa por estar aqui.
Obrigado a vocês e espero que a Agência se torne mais que um projeto acadêmico de um curso e passe a integrar de forma definitiva a nossa universidade.
PERFIL
Nascida em Santo Amaro da Purificação em 1947, Dora Leal Rosa é filha de Idalino Rosa, filho de tradicional família de Brotas de Macaúbas que migrou para o recôncavo baiano no início dos anos 20. Ela é graduada em Ciências Sociais pela UFBA, possui dois mestrados, sendo um na área de Educação pela Université des Sciences Humaines de Strasbourg e outro em Ciências Sociais pela UFBA, além de ser doutora em Educação. Professora da Federal da Bahia desde 1983, Dora fez carreira dentro da universidade até chegar a ser pró-reitora de Planejamento e Administração, cargo que assumiu em fevereiro de 2004. Em agosto de 2010 assumiu como reitora da UFBa, após ser a mais votada na eleição realizada entre professores, estudantes e funcionários da instituição.
Já orientou seis dissertações de mestrado, das quais duas ainda em andamento, e, atualmente, orienta três estudantes de doutorando. Além disso, Dora Leal já participou de 28 publicações, entre artigos em periódicos, capítulos de livros e anais de congressos. Faz parte do grupo de pesquisa Política e Gestão da Educação com duas linhas de pesquisa: Avaliação de processos e instituições educacionais e Política e gestão escolar e universitária.
Dora Leal Rosa foi também diretora geral da Fapesb - Fundação de Amparo à Pesquisa.
terça-feira, 12 de julho de 2011
Incêndio atinge o Pico do Itobira
O Pico do Itobira fica a 25 quilômetros da cidade de Rio de Contas na Chapada Diamantina
Bombeiros ainda não sabem as proporções do fogo que consome o ponto mais alto do estado da Bahia, em Rio de Contas
A cena se repete e já começou a temporada de incêndios na Chapada Diamantina. Desta vez, desde o início desta segunda-feira, dia 11, o fogo atinge o Pico do Itobira, próximo à cidade de Rio de Contas. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros de Lençois, a 410 quilômetros de Salvador, as proporções do incêndio ainda não foram calculadas.
Inicialmente, a denúncia do incêndio foi feita por moradores da região, que aguardam o envio de unidades dos Bombeiros para combater as chamas no pico, que fica a cerca de 25 quilômetros da sede do município. A gestora da Área de Proteção Ambiental (APA) Serra do Barbado, Ana Paula Soares, responsável pela área, informou que ainda é impossível ter uma ideia do tamanho do incêndio, tendo em vista que o local, que é o ponto mais alto do estado, é de difícil acesso.
No entanto, disse ter verificado uma linha de fogo de cerca de dois quilômetros na região, aguardando agora o envio de uma aeronave ao local para avaliar e viabilizar o combate às chamas.
Para o secretário estadual do Meio Ambiente, Eugêncio Spengler, já foi solicitado à Secretaria de Segurança Pública o envio de uma aeronave ao local o mais rápido possível para ter uma ideia do tamanho do incêndio. "Falei diretamente com o secretário Maurício Barbosa, que deve enviar uma aeronave ao local até esta quarta-feira", garantiu Spengler.
O secretário disse ainda que nesta época do ano começam a surgir os focos de incêndio na Chapada, o que acontece até o mês de Outubro por causa da escassez de chuvas.
sábado, 2 de julho de 2011
Brotas de Macaúbas defende território
Brotas espera o resultado do julgamento do STF
O município de Brotas de Macaúbas, na Chapada Diamantina, aguarda a decisão O Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4621), com pedido de medida cautelar, questionando a validade de dispositivo da Lei 7993/2002, da Bahia, referente aos limites geográficos do Município de Barra do Mendes. Na ação, o Partido dos Trabalhadores (PT) afirma que em 2001 um deputado estadual apresentou à Assembleia Legislativa do estado o Projeto de Lei 12.374/2001, que corrigia “os limites do Município de Barra do Mendes, restaurado em 1958, através da Lei 1.034, desmembrado do Município de Brotas de Macaúbas”. Esse projeto de lei deu origem à Lei 7.993/2002, cujo quinto tópico do seu art. 1º é o ato contestado agora.
De acordo com a ação, o dispositivo “claramente atenta contra o direito de livre manifestação da população envolvida no processo de desmembramento e incorporação de municípios”, pois implicou no desmembramento de parcela territorial do município de Brotas de Macaúbas, bem como a incorporação da área desmembrada ao município de Barra do Mendes, sem ouvir a população local.
Sustenta ainda que qualquer ato relativo à redefinição, correção ou alteração de área física demarcatória de municípios deve observar a Constituição Federal que, no art. 18, parágrafo 4º, determina a consulta prévia às populações dos municípios envolvidos. De acordo com a ADI, caso não seja observado este preceito constitucional, a norma será nula “de pleno direito, já que afronta norma constitucional asseguradora do direito do município e da população de preservar a integridade e unidade de seu território”.
Argumenta também ainda que o parlamentar, na tentativa de legitimar as alterações dos limites municipais, com base em suposta necessidade de correção dos limites do município de Barra do Mendes, desmembrou uma “considerável parcela territorial do município de Brotas de Macaúbas com importantes povoados, alcançando um contingente populacional de mais de 680 pessoas, além de outros povoados pertencentes a outros municípios vizinhos, que, por força da referido dispositivo, foram agregados a Barra do Mendes”.
O relator da ADI é o ministro Gilmar Mendes.
ESTÁ NA LEI
*Artigo 18, parágrafo 4º: A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei.
Artigo 18, parágrafo 4º: A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Congresso Nacional homenageia Milton Santos
Milton Santos, um dos filhos mais ilustre de Brotas de Macaúbas ganha homenagem no Congresso Nacional, em Brasília
Geógrafo e jornalista nasceu na Chapada Diamantina, em Brotas de Macaúbas, e a sessão marca os dez anos de sua morte
Nascido em Brotas de Macaúbas, na Chapada Diamantina, o e geógrafo e também jornalista Milton Santos, que completa dez anos de morte no próximo dia 24 de junho, será alvo de homenagens pelo Congresso Nacional. Ele é considerado um dos mais importantes intelectuais da história do Brasil, tendo dedicado toda a sua obra ao entendimento nas desigualdades entre os homens e as sociedades humanas ao redor do mundo.
A trajetória política e intelectual de Milton Santos reafirma a importância da luta por justiça e igualdade, e da participação de homens e mulheres negras na construção do país. O trabalho deste brotense serviu de inspiração para o que, hoje, veio a se constituir como Fórum Social Mundial, o qual foi convidado a se associar como fundador.
A sessão no Congresso Nacional em sua homenagem foi requerida pelo deputado federal baiano Luiz Alberto (PT), e está marcada para o dia 28 de junho, às 10h, no plenário da Câmara, em Brasília. Entre os convidados estão autoridades brasileiras, representações diplomáticas dos países onde Milton Santos atuou como professor e representantes de diversas entidades brasileiras.
Geógrafo e jornalista nasceu na Chapada Diamantina, em Brotas de Macaúbas, e a sessão marca os dez anos de sua morte
Nascido em Brotas de Macaúbas, na Chapada Diamantina, o e geógrafo e também jornalista Milton Santos, que completa dez anos de morte no próximo dia 24 de junho, será alvo de homenagens pelo Congresso Nacional. Ele é considerado um dos mais importantes intelectuais da história do Brasil, tendo dedicado toda a sua obra ao entendimento nas desigualdades entre os homens e as sociedades humanas ao redor do mundo.
A trajetória política e intelectual de Milton Santos reafirma a importância da luta por justiça e igualdade, e da participação de homens e mulheres negras na construção do país. O trabalho deste brotense serviu de inspiração para o que, hoje, veio a se constituir como Fórum Social Mundial, o qual foi convidado a se associar como fundador.
A sessão no Congresso Nacional em sua homenagem foi requerida pelo deputado federal baiano Luiz Alberto (PT), e está marcada para o dia 28 de junho, às 10h, no plenário da Câmara, em Brasília. Entre os convidados estão autoridades brasileiras, representações diplomáticas dos países onde Milton Santos atuou como professor e representantes de diversas entidades brasileiras.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Professora lança-se escritora aos 89 anos
Alessandra Nascimento
A professora aposentada de 89 anos, Alzira Ribeiro do Espírito Santo, mais conhecida como Dona Zizinha, acaba de lançar o livro “De Alzira a Zizinha – Testemunho de verdade e Luta” contando suas memórias. A ideia surgiu após a aposentada que mora no município de Brotas de Macaubas, na Chapada Diamantina, sofrer um derrame cerebral e encontrar na escrita a chave para a cura. “Já ensinei mais de 3 mil alunos na região.
Sempre lutei pela educação e pela qualificação do professor. Fiz parte da equipe de dirigentes municipais de educação que era presidida por Eliana Kertéz nos anos 80 e também participei do 2º Fórum Nacional de Educação com a presença do professor Paulo Freire. Fiz da minha vida uma eterna luta em prol da alfabetização de jovens e adultos no município de Brotas de Macaúbas, aqui na Chapada Diamantina, pois sei que apenas com a educação é possível mudar um país”, revela.
O livro retrata partes da vida da autora que chegou a conviver com o geógrafo Milton Santos, considerado um dos grandes nomes da renovação da geografia no Brasil ocorrida na década de 1970. D. Zizinha, como é conhecida a professora na cidade se formou depois de aposentada, em 1979. Nas páginas do livro é possível acompanhar histórias interessantes e inéditas como momentos decisivos da historia do país a exemplo da II Guerra Mundial, nos anos 40, e dos desdobramentos da Ditadura Militar, nos anos 60, com a perseguição ao coronel Carlos Lamarca pelo exército na época da ditadura, nos municípios de Brotas de Macaúbas e Ipupiara.
A escritora também recorda um momento especial quando em 2004 sofreu um derrame. “Foi através da escrita que eu consegui dar a volta por cima. O médico disse que eu precisava fazer exercícios então acompanhei através da televisão programas de receitas como o de Ana Maria Braga, Daniel Bork e Palmirinha Onofre e foi copiando as receitas que consegui melhorar a articulação de minhas mãos, me exercitando. Assim conforme minha caligrafia ia melhorando eu via que estava progredindo”, avisa.
A luta pela educação rendeu a D. Zizinha, em 1959, uma cadeira na Câmara de Vereadores de Brotas de Macaúbas como a vereadora mais votada do município. “Comecei a lecionar em 1935. Tenho a educação como lema de minha vida. Nunca desisti da educação. O único conselho que posso deixar nesta hora é que as pessoas nunca desistam do seu sonho, pois eu sou o grande exemplo disso. Depois de passar por um momento difícil de minha saúde consegui dar a volta por cima e lançar um livro.
Quero pedir a todos os professores que nunca desistam da educação, pois ela é a única arma que temos para mudar a história do nosso país e do nosso povo”, declara.
A professora aposentada de 89 anos, Alzira Ribeiro do Espírito Santo, mais conhecida como Dona Zizinha, acaba de lançar o livro “De Alzira a Zizinha – Testemunho de verdade e Luta” contando suas memórias. A ideia surgiu após a aposentada que mora no município de Brotas de Macaubas, na Chapada Diamantina, sofrer um derrame cerebral e encontrar na escrita a chave para a cura. “Já ensinei mais de 3 mil alunos na região.
Sempre lutei pela educação e pela qualificação do professor. Fiz parte da equipe de dirigentes municipais de educação que era presidida por Eliana Kertéz nos anos 80 e também participei do 2º Fórum Nacional de Educação com a presença do professor Paulo Freire. Fiz da minha vida uma eterna luta em prol da alfabetização de jovens e adultos no município de Brotas de Macaúbas, aqui na Chapada Diamantina, pois sei que apenas com a educação é possível mudar um país”, revela.
O livro retrata partes da vida da autora que chegou a conviver com o geógrafo Milton Santos, considerado um dos grandes nomes da renovação da geografia no Brasil ocorrida na década de 1970. D. Zizinha, como é conhecida a professora na cidade se formou depois de aposentada, em 1979. Nas páginas do livro é possível acompanhar histórias interessantes e inéditas como momentos decisivos da historia do país a exemplo da II Guerra Mundial, nos anos 40, e dos desdobramentos da Ditadura Militar, nos anos 60, com a perseguição ao coronel Carlos Lamarca pelo exército na época da ditadura, nos municípios de Brotas de Macaúbas e Ipupiara.
A escritora também recorda um momento especial quando em 2004 sofreu um derrame. “Foi através da escrita que eu consegui dar a volta por cima. O médico disse que eu precisava fazer exercícios então acompanhei através da televisão programas de receitas como o de Ana Maria Braga, Daniel Bork e Palmirinha Onofre e foi copiando as receitas que consegui melhorar a articulação de minhas mãos, me exercitando. Assim conforme minha caligrafia ia melhorando eu via que estava progredindo”, avisa.
A luta pela educação rendeu a D. Zizinha, em 1959, uma cadeira na Câmara de Vereadores de Brotas de Macaúbas como a vereadora mais votada do município. “Comecei a lecionar em 1935. Tenho a educação como lema de minha vida. Nunca desisti da educação. O único conselho que posso deixar nesta hora é que as pessoas nunca desistam do seu sonho, pois eu sou o grande exemplo disso. Depois de passar por um momento difícil de minha saúde consegui dar a volta por cima e lançar um livro.
Quero pedir a todos os professores que nunca desistam da educação, pois ela é a única arma que temos para mudar a história do nosso país e do nosso povo”, declara.
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